Todo mundo já ouviu (e provavelmente também já repetiu) a noção de
que, para escrever bem, é preciso ler bem. À primeira vista, parece um
princípio básico e indiscutível do ensino da Língua Portuguesa. Tanto
que a opção de nove entre dez professores tem sido propor aos alunos a
tarefa. Ler muito, ler de tudo, na esperança de que os textos
automaticamente melhorem de qualidade. E, muitas vezes, a garotada de
fato devora página atrás de página, mas - pense um pouco no exemplo de
sua classe - a tal evolução simplesmente não aparece. Por que será?
Antes de mais nada, ninguém aqui vai defender que não se deva dar
livros às crianças. A leitura diária é, sim, uma necessidade para o
letramento. Mas ler para escrever bem exige outra pergunta: de qual
leitura estamos falando? Para fazer avançar a escrita, a prática não
pode ser um ato descompromissado, sem foco. Pelo contrário: exige
intenção e um encadeamento bem definido de atividades, que tenham como
principal objetivo mostrar como redigir textos específicos.
"A leitura para escrever é um momento especial, que coloca os estudantes
numa posição de leitor diferente da que usualmente ocupam. Afinal, a
tarefa deles será encontrar aspectos do texto que auxiliem a resolver
seus próprios problemas de escrita", afirma Débora Rana, psicóloga e
formadora de professores do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.
É um trabalho que destaca a forma - estamos falando de intenção
comunicativa e estilo, portanto -, tema relacionado a inquietações que
tiram o sono de muitos docentes: por que as composições dos alunos têm
tão poucas linhas? Por que eles não conseguem transmitir emoção ou
humor? Por que as descrições de lugares e personagens não trazem
detalhes?
(NOVA ESCOLA)
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